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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Fundo Sem Fundo

Fundo Sem Fundo
[Mateus Almeida Cunha]




Poço, poço
fundo, fundo,
mais que fundo.
Mais fundo que o fundo.
Imundo

poço sem fundo
inundo
no fundo

o poço
o fosso
a fossa
o poço

o fundo do poço que inundo
fundo
afundo no poço
sem fundo.

Imundo

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Poesia - Sobre a Solidão XI

Sobre a Solidão XI
(Mateus Almeida Cunha)


A noite
A noite basta
A noite basta para nos consolar
A noite basta para nos consolar na melancolia

A melancolia
A melancolia em si
A melancolia em si, existe
A melancolia em si, existe e resiste

A solidão
A solidão na noite
A solidão na noite da melancolia
A solidão na noite da melancolia insiste

Poesia - Sobre a Solidão X

Sobre a Solidão X
(Mateus Almeida Cunha)


O outro
O outro corpo que se lança no escuro
Atiça

O outro
O meu corpo que se lança no vazio
Atira

O outro
O outro corpo que se roça no meu
Atiça

O outro
O outro corpo que se espelha no meu

Mira, atira, acerta
O espelho em pedaços
em mil, em mim
os cacos, o corpo
o outro eu.
Vivos, partidos, aos pedaços
é o que estamos.
"Mas estamos vivos ainda"


[Citação da canção "Natália", de Legião Urbana]



Poesia - Sobre a Solidão III

Sobre a Solidão III
(Mateus Almeida Cunha)


Se houvesse poço, 
                              qual poço?
Se tivesse fundo,
                              qual fundo?
Se houvesse o fundo do poço, 
                              o vazio, no fundo.
A queda,
              o grito,
                          a lágrima,
                                          o silêncio.
O fundo do fundo.


O fundo, no fundo do poço
O levantar, 
                 o cair
O fundo, no fundo
                 o poço
A lágrima, o poço
O poço de lágrimas e silêncio.

Aqui jaz o silêncio, bem no fundo do fundo
Do fundo do poço, o poço.
A queda.

domingo, 20 de maio de 2012

Poesia: Cantiga Para Não Morrer [Ferreira Gullar]

Cantiga Para Não Morrer
[Ferreira Gullar]
 
"Quando você for se embora,
(...)
me leve

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
(...)
me leve no coração

Se no coração não possa
por acaso me levar,
(...)
me leve no seu sonhar

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
(...)
me leve no esquecimento"
[excerto de "Cantiga Para Não Morrer", de Ferreira Gullar]

Poesia: Sobre a Saudade X

Sobre a Saudade X
[Mateus Almeida Cunha]



O Sol já se pôs meu bem

        E você não vem...

É tão tarde!

        E amanhã também,

você não vem?

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Poesia: Sobre a Saudade VI



Sobre a Saudade VI
[Mateus Almeida Cunha]


Saudade, saudade,
uma ausência de verdade
ou uma pseudo-solidão?

Saudade, saudade,
um não completar-se de
não tão rara emoção

Saudade, saudade,
embora pareça eternidade
nada mais que sensação

Saudade,
de pensamento de outrem,
solidão

Saudade,
de tanto corroer-se em
emoção

Saudade,
Uma indescritível
Sensação

De tanta dor,
Silencia-se

Poesia: Sobre a Saudade V


Sobre a Saudade V
[Mateus almeida Cunha]

“De repente, nunca mais esperaremos”
De repente, nunca mais seus olhos a me penetrarem
De repente, nunca mais sua voz a me chamar
De repente, nunca mais seus lábios nos meus
De repente, nunca mais sua mão macia sobre meu corpo nu
De repente, nunca mais seus seios em minhas mãos
De repente, nunca mais estaremos

De repente, se acabou
De repente, sua ausência
De repente, se finda uma vida
De repente, a solidão 
e
De repente, se acostuma
De repente, se solidifica
De repente, se petrifica

De repente, não tão de repente
De repente, outro amor
De repente, outra dor
De repente, não se acostuma
De repente, não mais se satisfaz
De repente, outra separação
De repente, “tudo dói”        



[Citações: 
Vinícius de Moraes, "Poema de Natal"
Caetano Veloso, "Tudo Dói"]

Poesia: Tarde em Mangue Seco

Tarde em Mangue Seco
[Mateus Almeida Cunha]



Mar, maresia, uma miragem.
A água salgada sob o Sol reflete o dia
em movimento com as ondas a nos embalar
e transcender à paisagem estática
que lentamente carrega as nuvens que sombreiam os corpos seminus
que sentem a fina areia fria sob os pés descalços.
Percauços.

As ondas, de espumas brancas,
misturam-se em cores com o azul-marinho
e dissolvem as esculturas de areia
que as crianças formam, tao disformes,
ao longe, ao mar,
Ah, amar

As esculturas

estão constantemete a desconstruirem-se,
com o embalo sutil das ondas
que lhe levam sua matéria-prima,
areia

Não há relógios a contar o que está a ocorrer,
cujo tempo parece permanecer estático, nulo, único,
para deleitarmo-nos, enquanto carros e assaltos e motos e bancos e lojas e avenidas

enchem as cidades que fugimos.



[Feito em Mangue Seco, numa tarde na praia]



sexta-feira, 6 de abril de 2012

Poesia: Sobre o Amor I




SOBRE O AMOR I
[Mateus Almeida Cunha]


Na vastidão da plenitude,
o amor

Aquilo que nada se sabe.
Aquilo que tudo se sente.
Aquilo que nada ressente.

Na imensidão da quietude,
o amor

Aquilo, de dentro, emoção.
Aquilo que poucos sentirão.
Aquilo que vibra, pulsação.

Entre poucos, se ama.
Na amplidão, o amor não trai.

Entre tantos, se ama.
Na amplidão, o amor não se esvai.

Entretanto, se ama.
Na amplidão,
 o amor .

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Poesia: Sobre a Solidão VIII

SOBRE A SOLIDÃO VIII
[Mateus Almeida Cunha]



O silêncio!
(escuta)
Ouve essa não-voz que lhe chama
Ouve essa voz que lhe clama
Que que muda, que lembra, que pede.

Em meio a tantos amores perdidos,
correspondidos ou não,
deixados no tempo, em vão,
esquecidos, perdidos
uma lembrança a surgir.

A solidão!
(escuta)
Sente esse vazio que lhe vem
Sente esse vazio que lhe tem
Que que grita, que fica, que implora

Em meio a tantos corações destroçados,
dilacerados ou não,
largados no tempo, se vão,
despercebidos, partidos
uma lembrança a fugir.

O vazio!
(escuta)
Sente essa angústia que lhe corrói
Sente essa angústia que lhe dói
Que chora, que fere, que dilacera.

Entre tantos amores feridos, uma enorme desilusão.
Entre tantos amores antigos, a imensidão da solidão.
Entre tantos amores esquecidos, a vastidão da solidão.
E uma sombra a nos rodear.

Poesia: Autoconstrução

AUTOCONSTRUÇÃO
[Mateus Almeida Cunha]


Construir-se:
transmutar-se,
permitir-se,
Ousar-se.

Construir-se:
modificar-se,
deixar-se,
Sentir-se.

Construir-se:
defender-se,
preservar-se,
Ruir-se.

Construir-se:
aceitar-se,
duvidar-se,
Fluir-se.

Construir-se:
mastigar-se,
deglutir-se,
Digerir-se

Autoexilar-se em introspecções vãs
ou autossustentar-se em idéias sãs.
Deixar-se ser.
Enfim,
ser.


Poesia: Nada se Sabe

Solidão III
(Mateus Almeida Cunha)


Não há mais nada além de lágrimas e solidão
O tormento dos que tentaram esquecer da dor

Não há mais tanta lágrima, solidão...
O tormento dos que haviam esquecido da dor

Quem sabe, o medo deixe de existir
Quem saberá?
Quem sabe, a angústia se finde
Quem saberá?
Quem sabe, tornemo-nos mais frios
Quem saberá?
Quem sabe, queiramos apenas lutar
Quem saberá?
Quem sabe, brindemos a vida
Quem saberá?
Quem sabe, sonhemos
Quem saberá?
Quem sabe, recomecemos
Quem saberá?
Quem sabe, aquilo, de dentro, se extinga
Quem saberá?

Quem quererá?
Quem ficará?
Quem mudará?
Quem aceitará?
Quem acatará?
Quem chorará?
Quem findará?
Quem fincará?
Quem brilhará?
Quem adotará?

Nada se sabe
Nada se saberá
Nunca se soube
Nunca se saberá