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terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Divagações
"Para lembranças inesquecíveis de amores impossíveis, feridas incuráveis. Quanto ao resto, o tempo"
Mateus Cunha
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Divagações: Expressões
A auto-censura pode não ser suficiente. Há dias em que é preciso gritar.É
preciso escrever para expressar. Creio que as máximas expressões são a
escrita, a pintura e a música, não necessariamente nessa ordem. Autoidentificar-se é não reconhecer-se em outrem.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Ensaio: Sobre o Silêncio (ou Sobre a Solidão)
Ensaio
Sobre o Silêncio
(ou Sobre a Solidão)
[Mateus Almeida Cunha]
Esse seu silêncio significa a sua ausência, que é muito pior que a sua presença em meio a discordâncias. Essa sua voz que não ouço, esse vazio que me dói, essa angústia que me preenche. Essa ausência que me corrompe... Como um cristal, pseudo-pétreo, sou frágil. Só caibo em mim. E se caio, meus cacos não "me farão ser-me" novamente. Porque não sou: estou. Porque não vivo: sobrevivo. Porque não falo: silencio.
Entre duas paredes, o maciço. Entre olhares flertivos, fugidios, felinos, felizes, fugazes, me firo. Não me refiro às barreiras intransponíveis, mas ao fato de ter sido posto um ponto: um muro entre dois mundos. Um muro. Um mundo. Um novo mundo. Mudo-me, faço-me, refaço-me, desfaço-me, construo-me, desconstruo-me, reconstruo-me a cada silêncio. A cada ausência disfarçada, a cada silêncio seu, sozinho, sonho, sofro, sufoco e esses seus atos que me vêm à cabeça, seus atos, seus atos, seus atos, seus atos, seus atos, seus atos... Seus autos!
Tranquilizo-me com aquilo que somos, que temos, que não somos, que dissemos, que somos, que fizemos, que não somos, que contamos, que somos, que choramos. Agora não estamos. E fica a lembrança ou (des)consolo do seu não-som...
As horas têm sido difíceis. Nunca disseram que não seriam assim, mas a esperança faz da nossa vida uma arte e, nessa parte, nunca entendi (ou nunca me quis entender). Eu nunca cri em verdades não ditas, mas no silêncio maldito, um medo atroz. Fujo. Fujo-me. Finjo. Finjo-me. Malditas palavras não-ditas. Antes tivesse ouvido: - adeus. Mas o silêncio prossegue nesse castigo a me atormentar: o seu silêncio.
Escrito integralmente no celular, durante o show de Vitor Passos e Victor Longo, ao ler um e-mail de Ana Patrícia com a temática sobre o silêncio, de autoria desconhecida. Rio Vermelho, Salvador, 18/10/2011. Ilustração de Eduard Münch, "A Separação II", sugerida por Ana Patrícia.
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Ensaio: Sobre a Existência (ou Sobre a Resistência)
Ensaio Sobre a Existência
(ou Sobre a Resistência)
[Mateus Almeida Cunha]
Existe-se.
Apenas isso: existe-se. E nada mais se sabe. Nada mais se saberá ou se quererá
saber: existe-se. Sabe-se que se vive, sabe-se que se morre e sabe-se que não
se sabe. Nada (ou quase nada) se sabe ou se saberá (espanto!). Existe-se.
Resiste-se.
E como num vão suspiro, num átimo, sobrevivo. Apenas isso: sobrevivo. Em meio a olhares fugidios de cidadãos desconhecidos, ouso lançar olhares flertivos a quem me interessa. Por ora, nada tenho feito, já que nada (mais) me interessa. Já que nada me toca e numa tentativa anti-blasè, me espanto. Mas, nada mais me admira, pois há anos tenho-me admirado a cada dia, esgotando-me lentamente. Seria a velhice o ápice da ausência total de sentimentos, gastos por toda uma vida? Seria a escolha que se faz, uma própria não-escolha que não se escolhe? Existe-se. E apenas isso: vive-se. Sobrevive-se.
"Se você gostou muito do dia, então viva outro
melhor"¹. Conseguem-se dias melhores? Como fazê-los? E
se os fazemos, como permanecê-los ou, melhor, como congelá-los se somos a cada
dia (im)postos a descer nessas "escadas rolante da gente"¹? Como se esquecer daquela angústia que ficou e, se não ficou,
como saber mastiga-la, degluti-la, digeri-la, expeli-la? Porque existimos.
Porque queremos existir e, se não o fazemos, atropelamo-nos ou atropelam-nos. A
verdade é que estamos sendo atropelados a cada dia. E se não o queremos, como
não permiti-lo? Existimos. Repetimos.
Deve ser frustrante não se fazer o que se gosta. Deve ser frustrante não conseguir fazer o que se quer. Porque somos frustrados. Porque, lá no fundo, temos um sonho idealizado, não realizado. Porque lá no fundo, dói não executá-lo. Porque dói não expô-lo da forma que se queria. Que se gostaria. Que se quereria. Enfim, que se realizaria. Porque somos frustrados e frustramo-nos pelo fato de sê-lo. Porque não somos o que somos. E, se somos, apenas isso: somos. Somos? Existimos e frustramo-nos.
Felicidade? O que é ser feliz? "Ser feliz serve pra quê", Clarice [Lispector] O que basta para se tornar feliz? Sim, Foucault, "o que estamos fazendo de nossas vidas?". O que queremos de nossas vidas? O que tentamos? O que somos? O que queremos? O que partimos? O que morremos? O que faremos? O que faremos? O que faremos? O que faremos? O que faremos? O que faremos? O que faremos? O que faremos? O que faremos? O que faremos? O que faremos?
Desespêro. Desespéro (acentuação graficamente incorreta, mas necessária para o entendimento - se é que algo aqui é entendível e se é que a vida, per si, é entendível). Desesperamo-nos quando não sabemos o que fazer. E gritamos e choramos e pedimos e sentimos e fugimos e perdemos e não sabemos. E existimos. Apenas isso: existimos nessa visão existencialista tendendo ao pessimismo. Existimos? Resistimos. Frustramo-nos e resistiremos. Enfim, isso é a existência: a plenitude que não se completará jamais.
¹Excerto da canção "As Escadas Rolantes da Gente", de Victor Longo
Escrito integralmente no celular, durante o show de Vitor Passos e Victor Longo, no Rio Vermelho, em 18/10/2011. Pena que, devido a uma pane no celular, perdi uma boa parte do texto (cerca de dois parágrafos).
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quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Divagações: Vida Reticente...
DIVAGAÇÕES: VIDA RETICENTE...
[Mateus Almeida Cunha]
É... no fundo sou mesmo reticências...
Gostaria de ser um ponto final, definido. Uma afirmação. Ou uma conclusão.
Talvez uma vírgula, uma explicação, um opinição, uma afirmação.
Já sei! Uma exclamação! Aí sim seria bom! Bom mesmo!
Seria então uma interrogação (de mim mesmo)? Teria outra vida? Quereria? Gostaria? Amaria?
Nada disso... sou reticências... não completo... talvez explique, não sei... é... talvez seja isso mesmo: reticências... continuo sendo... indo... fazendo... enfim... continuo...
#reflexaodanoite...
#filosofianoturna...
#existencialismo...
#reticente...
#...
...
Obs.: postado inicialmente via Facebook
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quinta-feira, 10 de março de 2011
Divagações: Nada dura para sempre
Divagação
Mateus Almeida Cunha
Nada dura para sempre. Nada durará. Mas fica a certeza de aproveitar enquanto há tempo. Enquanto nos resta tempo, vontade e coragem.
terça-feira, 8 de março de 2011
Divagações: Inteligência e Solidão
Inteligência e Solidão
Nuno Lobo Antunes
É duro, mas é a mais pura verdade:
"O que nunca ninguém diz, porventura com medo de parecer vaidoso, é que a inteligência tem um preço: a solidão."
[Nuno Lobo Antunes]
Divagações: Plenitude
Plenitude
Mateus Almeida Cunha
Percebi que quando conseguimos passar o dia inteiro, do acordar até a hora de dormir, sem fazer absolutamente nada é porque atingimos a plenitude. Isso indica que estamos satisfeitos (ou ao menos conformados) com o mundo e realizados pelo fato de sermos "eu". Ser feliz pelo que se é e não pelo que os outros gostariam que fôssemos. Hoje não fiz nada: dia maravilhoso! Que venham mais...
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Ensaio: Sobre Ser e Estar ou A Metamorfose da Vida
Sobre Ser e Estar ou A Metamorfose da Vida
(Mateus Almeida Cunha)
Sim, eu carrego comigo essa dor e essa dúvida de ser ou de estar. Na verdade, de ser e de estar. Ser? Estar? Sim, a dúvida de ser eu, de ser humano, de ser racional diante de tanta irracionalidade que me permeia e tantas outras coisas que não saberia dizer: apenas sentir. A dúvida de estar: estar num mundo errado ou viver num tempo errado. É preciso, mais que viver, sentir a essência da vida. Porque existem pessoas DO mundo e pessoas NO mundo. Eu não pertenço ao grupo das pessoas do mundo, posto mesmo que estou aqui de passagem. Mais que conflitos, alucinações. Mais que verdades, mazelas sagazes. Mais que angústias, miragens. Mais que viver, sentir. Estar. Ficar. Estar. Esperar. Estar. Fincar. Estar.
E como um passageiro que percebe, após uma longa viagem, estar no vôo errado, eu tento retroceder. Não retrocedo. Fujo das coisas, de mim, e me calo frente aos acontecimentos que nunca cri existirem e nunca supus controlar. Porque viver dói e sentir a vida dá taquicardia tal qual a espera da morte do paciente terminal, pela família. Eles se encontram e choram. Eles rezam, mas eu não sei rezar. A linha tênue que liga a vida à morte me espreita sorrateira por meses contínuos. É bem verdade que, às vezes, ela afrouxa e dá uma trela aos acontecimentos de mim mesmo. E isso me basta para descansar. E penso ter curado, mas cura não há. Eu tento fugir: eu não fujo. Eu tento sumir: eu não sumo. Eu tento morrer: morte não há.
Hoje, apenas observo o jardim que tem vida e dá vida. Ele é verde, entre tanto marrom-barrento por sua volta. Entre tantos indícios do pó primordial que nunca cri sua existência, senão que um mero mito. As folhas me encantam e atraem de tal forma que não consigo pensar em outras coisas, senão às minhas mesmo. É engraçado e, no mínimo estranho, pensar que a folha que hoje observo não existia há um mês e não existirá daqui a um mês. Tal qual a passagem do tempo se torna cruel. Mas como senti-la, senão quando se comparam fatos que nos atraem? Como sentir a vida lhe pulsar pelo sangue que circula, senão quando lhe fere a pele e o fluido escarlate escorre? Uma folha viçosa, com o brilho da própria luz do dia a lhe refletir num processo que nem a química fotossintética mais pura saberia descrever a equação da beleza. Talvez, algum desses grandes gênios do Renascimento pudesse detalhá-la minuciosamente de tal forma numa pintura tão real que a própria tinta fugisse mais da tela do que o próprio brilho da sua essência. Não sei se uma tela poderia reproduzi-la tão fielmente, já que a interpretação que possuo ao olhá-lo pode-se dizer que seja primária. A do artista seria uma outra interpretação primária, própria da sua criação e inspiração momentâneas, e eu faria um interpretação secundária da interpretação primária da figura original. Não. Isso não é difícil de se entender e nem sei mesmo porque detalhar uma observação tão fútil e coerente da realidade, já que o pensamento nos faz donos do próprio pensar-existir. Penso, logo existo. Essa frase não é minha, mas estou apoderando-me dela de tal forma que poderia escrevê-la em qualquer texto de minha autoria que, se não fosse consagrada pelo uso entre os filósofos e intelectuais, poderia dar-me a sua autoria. Não, acho que não quero tê-la como minha, já que se fosse minha ela não teria tanto sentido para mim, mas sim para os que a apreciassem e ela se perderia de mim, tal como se perdeu desse pensador. Talvez porque a existência pseudo-desconhecida das coisas nos dê uma excitação de posse muito maior que a própria satisfação do ato da criação concluída. Ela não me pertence, mas a partir de hoje será minha. E quando se toma algo como seu, primeiramente é preciso acreditar que aquilo lhe pertence, para só depois fazer os outros acreditarem. Quando se cria uma mentira é preciso fazê-la tão bem que você mesmo seja capaz de acreditar na sua existência e refutar veementemente qualquer criatura que tente desmerecer o seu crédito.
Aquela folha que, entre tantos milhares de outras, observo não sabe da minha existência. Nunca pedi que soubesse da minha existência, mas se ao menos a observo por alguns instantes, o mais justo seria ter a sua retribuição. Pensando (mentindo) apenas para mim mesmo que a folha pode estar também me observando atenta e fazendo suposições do que fui, sou e serei, é bem verdade que isso me anima. Pouco abaixo do seu talo, observo uma forma tão disforme, ao longe, da minha posição de observador reflexivo-enigmático que não serei capaz de dizer o que se trata. Possui uma forma delgada e alongada com uma coloração que se assemelha ao próprio caule do vegetal, e que não lhe pertence. Ou melhor, pode até pertencê-lo, uma vez que está unida (aparentemente) de tal forma como uma anomalia vegetal. Porque isso me intriga. Por que isso me intriga? Com o olhar aguçado que só a curiosidade é capaz de produzir identifico que se trata de um casulo. Seria uma borboleta a se esconder, entre tantas outras árvores no mundo, no meu jardim? Um borboleta a, quando se metamorfosear, farfalhar no meu jardim. É impressionante como esses seres conseguem suportar a sua existência. Sim, porque eles se suportam. E isso é tão verdadeiro que, ficam num casulo, escuro, privados da visão do mundo a observar apenas para o seu próprio eu. E depois de um largo período, talvez uma grande epifania faça-os mudar para poder suportar o mundo. O seu mundo. O meu mundo. O nosso mundo. E quando mais tarde lhe ressurgir a vida, será forte o suficiente para se libertar de sua própria prisão, bater as asas tão frágeis e diminutas e ser capaz de levantar vôo. Será capaz? E como será capaz de ver o seu casulo pelo lado externo, após um período de tanta tê-lo visto (e vivido) internamente? Nos metamorfoseamos a cada dia.
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domingo, 17 de outubro de 2010
Divagações: O Amor Não Resolve Nada (José Saramago)
O AMOR NÃO RESOLVE NADA
(José Saramago)
Concordo mais uma vez com Saramago... Essa história de amar uns aos outros não existe. Temos de RESPEITAR uns aos outros! Como posso amar um estranho? Tenho apenas de respeitá-lo e isso basta.
Por Fundação José Saramago (http://caderno.josesaramago.org/2010/10/01/o-amor-nao-resolve-nada/ )
O amor não resolve nada. O amor é uma coisa pessoal, e alimenta-se do respeito mútuo. Mas isto não transcende o colectivo. Levamos já dois mil anos dizendo-nos isso de amar-nos uns aos outros. E serviu de alguma coisa? Poderíamos mudá-lo por respeitar-nos uns aos outros, para ver se assim tem mais eficácia. Porque o amor não é suficiente. [José Saramago]
“Saramago, el pesimista utópico”, Turia, Teruel, nº 57, 2001
Divagações: Não se sabe tudo, nunca se saberá tudo (José Saramago)
NÃO SE SABE TUDO, NUNCA SE SABERÁ TUDO
(José Saramago)
O texto a seguir foi retirado integralmente do Blog de Saramago, O Caderno, que eu já acompanhava desde antes da sua morte. A postagem está disponível em: http://caderno.josesaramago.org/ . Acho que não há nenhum comentário a fazer já que, por si só, ele é autossuficiente.
Outubro 15, 2010 por Fundação José Saramago
Não se sabe tudo, nunca se saberá tudo, mas há horas em que somos capazes de acreditar que sim, talvez porque nesse momento nada mais nos podia caber na alma, na consciência, na mente, naquilo que se queira chamar ao que nos vai fazendo mais ou menos humanos. [José Saramago]
In As Pequenas Memórias, Ed. Caminho, 2006, p. 17
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Reflexão: Ser Feliz Serve pra Quê?
Preciso ler mais Clarice Lispector! Já se foram: A Hora da Estrela, Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, A Mulher que Matou os Peixes, A Paixão Segundo G.H. e Um Sopro de Vida (Pulsações), mas ainda estou sedento.
Hoje, o que mais me instiga nela é: "ser feliz serve pra quê?"
Eu também não sei,
afinal todos morremos um dia!
Daqui a setenta anos,
setenta meses,
setenta semanas,
setenta horas,
ou setenta minutos?
Hoje, se tenta viver.
A hora, sessenta minutos,
enquanto sessenta segundos,
carregam o minuto etéreo.
Hoje, se senta, e se espera.
Cinquenta anos em cinco, JK. Agora eu te entendo!
Sem mais, Mário, "alguns passarão, eu passarinho".
Hoje, o que mais me instiga nela é: "ser feliz serve pra quê?"
Eu também não sei,
afinal todos morremos um dia!
Daqui a setenta anos,
setenta meses,
setenta semanas,
setenta horas,
ou setenta minutos?
Hoje, se tenta viver.
A hora, sessenta minutos,
enquanto sessenta segundos,
carregam o minuto etéreo.
Hoje, se senta, e se espera.
Cinquenta anos em cinco, JK. Agora eu te entendo!
Sem mais, Mário, "alguns passarão, eu passarinho".
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Citação: Calcanhotto (I)
Citando (Adriana) Calcanhotto:
"...
meu amor, cadê você?
eu acordei, não tem ninguém ao lado
..."
"...
meu amor, cadê você?
eu acordei, não tem ninguém ao lado
..."
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sexta-feira, 16 de abril de 2010
Divagações: Citando Clarice Lispector (I)
Mais uma vez, concordando com Clarice Lispector:
"Eu me deixo ser!"
Por ora, acho que isso basta!
"Eu me deixo ser!"
Por ora, acho que isso basta!
domingo, 21 de março de 2010
Divagações: Frases de Impacto (Clarice Lispector)
Há muito a se dizer sobre Clarice Lispector, principalmente que a sua literatura é algo que se sente: ou toca, ou não toca! É preciso lê-la para saber. E, como ela, foram poucos os intelectuais capazes de descrever (com tantos detalhes) os sentimentos humanos e os conflitos psicológicos. Clarice foi, inclusive, considerada "a" Franz Kafka da língua portuguesa. Nasceu na cidade de Tchetchelnik, na Ucrânia, com a data de nascimento incerta, sendo 10 de dezembro de 1920 a que parece ser mais "correta". Veio com a família para o Brasil muito cedo, quando morou em Recife. Em 1930 perde a mãe. Alguns anos depois muda-se, com a família, para o Rio de Janeiro. Cursou Direito. Escrevia na sala, no quarto, com a máquina de escrever no colo e as crianças brincando e correndo pela casa, com a empregada cuidando dos afazeres do lar. Nunca se considerou uma escritora, apesar de sabermos que sempre fez esse ofício com maestria... Falecera em 09 de dezembro de 1977, na véspera de seu 57º aniversário. Seu último livro, publicado em vida foi "A Hora da Estrela", que escreveu em paralelo com "Um Sopro de Vida (Pulsações)".
"Quem não é um acaso na vida?"
"Perder-se também é caminho."
"Com todo perdão da palavra, eu sou um mistério para mim."
"Não era à toa que ela entendia os que buscavam caminho. Como buscava arduamente o seu! E como hoje buscava com sofreguidão e aspereza o seu melhor modo de ser, o seu atalho, já que não ousava mais falar em caminho. Agarrava-se ferozmente à procura de um modo de andar, de um passo certo. Mas o atalho com sombras refrescantes e reflexo de luz entre as árvores, o atalho onde ela fosse finalmente ela, isso só em certo momento indeterminado da prece ela sentira. Mas também sabia de uma coisa: quando estivesse mais pronta, passaria de si para os outros, o seu caminho era os outros. Quando pudesse sentir plenamente o outro estaria a salvo e pensaria: eis o meu porto de chegada. Mas antes precisava tocar em si própria, antes precisava tocar no mundo." (Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres)
“Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada nem a ninguém. Nasci de graça. Se no berço experimentei essa fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus ( ... ) Quem sabe se comecei a escrever tão cedo na vida porque, escrevendo, pelo menos eu pertencia um pouco a mim mesma.” (A Descoberta do Mundo)
“Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece.” (A Descoberta do Mundo)
“Senti-me então como se eu fosse um tigre com flecha mortal cravada na carne e que estivesse rondando devagar as pessoas medrosas para descobrir quem teria coragem de aproximar-se e tirar-lhe a dor. E então há a pessoa que sabe que tigre ferido é apenas tão perigoso como criança. E aproximando-se da fera, sem medo de tocá-la, arranca a flecha fincada.” (Água Viva)
“Mas é que também não sei que forma dar ao que me aconteceu. E sem dar uma forma, nada me existe. E – e se a realidade é mesmo que nada existiu?! quem sabe nada me aconteceu? Só posso compreender o que me acontece mas só acontece o que eu compreendo – que sei do resto? o resto não existiu. Quem sabe nada existiu? Quem sabe me aconteceu apenas uma lenta e grande dissolução? E que minha luta contra essa desintegração está sendo esta: a de tentar agora dar-lhe uma forma? Uma forma contorna o caos, uma forma dá construção à substância amorfa – a visão de uma carne infinita é a visão dos loucos, mas se eu cortar a carne em pedaços e distribuí-los pelos dias e pelas fomes – então ela não será mais a perdição e a loucura: será de novo a vida humanizada.” ( A Paixão Segundo G.H.)
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domingo, 12 de julho de 2009
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Poesia: Sentido(s)
Eu busco o sentido das coisas
Dos fatos, das fotos,
Das pessoas, das plantas
Para que servem as coisas?
Quais coisas?
As coisas.
Coisas.
Coisas, coisas, coisas...
Quais?
Eu não entendo
Eu não (me) entendo
Eu.
Eu?
É isso que tenho sentido:
Não há sentido!
[Autoria: Mateus Almeida Cunha]
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